sábado, 17 de setembro de 2011

Estranguladora de seus Filhos

      Autor: Pascual Guaglianone
     Sois acusada de haver estrangulado a vossos três filhos - disse o juiz solenemente, enquanto se aconchegava em sua poltrona.
     Um profundo silêncio reinou na sala.
     Uma mulher de mais alta do que baixa estatura, de belo e negro cabelo, de bem conformado corpo, com um simpático semblante de palidez térrea, pôs-se de pé, e meio soluçando, assim falou:
     - Sim. É certo, senhor juiz, que eu matei os meus três filhos, não o nego; porém, eu fui obrigada a isso pela miséria. Meu marido havia sido despedido da oficina por ter-se queixado do mísero salário que percebia, e, desde então, em parte alguma quiseram admiti-lo. Inútil que abandonasse o leito antes de raiar a alva, inútil que andasse de manhã até à noite golpeando as portas dos patrões, inútil, inútil. - Uma manhã a autoridade lançou nossos cacarecos ao meio da rua, por que não tínhamos podido pagar durante três meses o aluguel da choça que habitávamos: meu marido teve que levar-nos, a mim e aos pequenitos, a agasalhar-nos de baixo de um teto amigo. Três meses depois, a miséria golpeava fortemente a porta de nossa morada, e o pão faltava. Ele, meu companheiro de sofrimentos, saiu à rua e nao voltou mais: havia ido roubar, e o reduziram à prisão. Então eu, a infeliz e miserável mulher do ladrão faminto, tive que lançar-me à rua e prostituir-me. Meus filhos necessitavam de pão!... Porém, que me vi rechaçada; meus anos me eliminavam do mercado da carne humana, e então fui pedir esmola. Uns vinténs, produto da caridade que implorava, me chegavam para comprar um pedaço de pão que, unido a um pouco de água, comíamos eu e meus três pequeninos. Isto era horrível! Isto era infernal! Via que meus filhos não tinham mais farrapo com que cobrir suas carnes, via-os enfermos, anêmicos; recordava o seu pai e chorava, chorava...
     Fazia já dois meses que o pão e a água eram o alimento forçado de meus filhos. Eu me encontrava exausta de forças e não podia mais pedir esmola. Ninguém nos daria o que comer!...Recordei a morte, e a ela me decidi, acompanhando-me de meus três filhos, aos quais estrangularia; assim não sofreriam mais de fome!...
     Ali estão... estão dormindo... Ah!... chega o momento triste e fatal... devo estrangulá-los... Logo me enforcarei eu mesma... Vamos!... Porém, são meus filhos!... Não me atrevo... Ah!... Vamos!...
     E então, senhor juiz, recordo vagamente que, um por um, depois de receber um beijo, o beijo apaixonado da mãe dolorosa, sofreram a frieza de meus dedos em sua garganta; que, um por um, fugiram deste mundo infame e miserável; que, um por um, senhor juiz, abandonaram sua única propriedade; a miséria... E quando eu ia segui-los, quando eu ia acompanhá-los, um infame derruba a porta e impede minha morte, ou, o que é o mesmo, o manto que resguardaria a meus pequeninos do frio final da vida...
     E agora, senhor juiz, agora que deveis julgar-me como assassina de meus filhos, escutai bem e depois condenai-me à última pena.
     -Quem entre todas as mães não prefere para seu filho a morte antes que a fome? Quem entre todas elas poderia friamente ver seus filhos alimentarem-se com pão e água, durante dois meses? Quem?...
     -Quem nesse caso mata, quem nesse caso assassina, quem nesse caso estrangula, escutai bem: não é a mãe; é a sociedade.
     Senhor juiz, condenai-me à pena capital, porém recordai-vos de que a estranguladora de meus filhos é a sociedade!

O Protesto, RJ, ano I, nº 8, abr. 1900, e
O Grito do Povo, SP, ano I, nº 26, 1º de maio de 1900.
REFERÊNCIA:
PRADO, A. ; HARDMAN, F.; LEAL, C. Contos Anarquistas - São Paulo: Martins Fontes, 2011

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Fichamento: O PROJETO DE PESQUISA EM HISTÓRIA: DA ESCOLHA DO TEMA AO QUADRO TEÓRICO

O PROJETO DE PESQUISA EM HISTÓRIA: DA ESCOLHA DO TEMA AO QUADRO TEÓRICO[1]

ERIKA MORAES ROSA DE CARVALHO[2]

PALAVRAS-CHAVE: Projeto de Pesquisa – Delimitação do Tema – Quadro Teórico – Hipótese

O projeto de pesquisa: funções e estrutura fundamental
            O projeto de pesquisa pode ser considerado um roteiro, por uma viagem no conhecimento, traçando o caminho que o pesquisador deverá seguir. Como uma viagem, o investigador deverá delimitar seu tema, ou local a ser visitado.
“O Projeto de Pesquisa deve ser, naturalmente, um instrumento flexível, pronto a ser ele mesmo reconstruído ao longo do próprio caminho empreendido pelo pesquisador.” (p. 10)
            Não se concretiza nada sem antes possuir um projeto, um caminho, do qual nos coordena em nossa jornada.
            Segundo JOSÉ BARROS[3], o projeto de pesquisa pode ser dividido em 7 funções:
1-    Carta de intenções: “(...) onde o pesquisador exibe a sua proposta investigativa (...)” (p.12)
2-    Item curricular: programa implantado em instituições de Pós-Gradução
3-    Direcionador de pesquisa
4-    Roteiro de trabalho: “(...) sem o qual o pesquisador desperdiçaria seus recursos(...)” (p.13)
5-    Instrumento para elaboração de idéias
6-    Dialogo cientifico e acadêmico: que permite a exposição do trabalho em andamento, para profissionais mais experientes
7-    Retrato de uma pesquisa em andamento
Com um projeto de pesquisa podemos antecipar algumas respostas essenciais da pesquisa.
“O que se pretende fazer? Por que fazer? Para que fazer? A partir de que fundamentos? Com o que fazer? Como fazer? Com que materiais? A partir de que dialogo? Quando fazer?”(p.14)
O projeto deve ser dividido em:
1-    Introdução
2-    Justificativa
3-    Objetivo
4-    Quadro teórico
5-    Hipótese
6-    Fontes e Metodologia
7-    Bibliografia
8-    Cronograma
Que para facilitar a compreensão do pesquisador BARROS propõe a utilização das perguntas na seguinte maneira:
- Quem fará?                              -Descrição pessoal
- O que fará?                              -Delimitação da temática e formulação do problema
- Dialogando com quem?        -Revisão bibliográfica
- Por que fazer?                        -Justificativa
- Para que fazer?                      -Objetivo
- Com que fundamento?         -Quadro teórico / Hipótese
- Com que materiais?               -Fontes e Metodologia / Bibliografia
- Com que instrumentos?       -Fontes e Metodologia
- De que modo fazer?              -Fontes e Metodologia
- Quando fazer?                        -Cronograma
- Com que recursos?                -Recursos e Aspectos Orçamentários
Introdução e delimitação do tema
            A introdução do projeto pode aparecer de duas maneiras, uma seria utilizada como capitulo especial “(...) onde o tema é simultaneamente apresentado e discutido já de forma aprofundada.” (p.23), ocorrendo somente se não houver um capitulo que destaque a “Delimitação do Tema” ou a “Exposição do Problema”, porém se já existir um capitulo destinado a estes assuntos, ocorrerá a segunda maneira, na qual a introdução receberá a função de uma espécie de resumo do projeto.
            O tipo de introdução de resumo facilita a compreensão do conteúdo da pesquisa sem a necessidade da leitura total do trabalho, este tipo de introdução expõe a ideia central para executivos de grandes empresas que possuem pouco tempo e examinadores de projetos de uma instituição acadêmica.
            “A Introdução do tipo resumo é o que assegurará que o seu projeto será bem compreendido nas suas linhas gerais, mesmo que o avaliador não tenha uma disponibilidade inicial para ler o Projeto inteiro.” (p.24)
            Quando vamos fazer um projeto, o ponto fundamental é a escolha do tema, que deve ser interferida por fatores combinados, como “(...) o interesse do pesquisador, a relevância atribuída pelo próprio autor ao tema cogitado, a viabilidade da investigação, a originalidade envolvida.” (p.25)
            Porém ao escolher um tema devemos estar cientes de que ele ocorreu em outra época, e escreveremos ela em nosso tempo, o ponto de vista nosso tempo é contemporâneo.
            “Incorporar uma dimensão ética a pesquisa cientifica sem sombra de duvida uma das mais legitimas preocupações que devem assaltar o pesquisador neste inicio de milênio.” (p.27)
            “A escolha de um tema, enfim, frequentemente se faz sob a força de ondas de impacto que nem sempre são percebidas pelos pesquisadores.” (p.29)
            Durante muito tempo a história foi escrita de forma descritiva ou narrativa, porém agora é exigido do historiador que ele recorte um problema dentro de seu tema, transformando então o problema em recorte, com isso o conhecimento histórico foi ampliado.
            A escolha do tema deve ser algo que interesse o pesquisador, que motive sua curiosidade intelectual ou uma vontade particular do conhecer mais profundamente um determinado tema. Porém ele deve também ser algo que interesso não só ao pesquisador, pois “(...) o pesquisador deve se esforçar por encontrar um tema que o deixe simultaneamente em paz consigo mesmo e em paz com o mundo que o cerca.” (p. 35)
            “Por mais que um tema nos interesse, e por mais que o consideremos relevante, será inútil embarcar na aventura da proteção de conhecimento cientifico se este tema não for viável.” (p. 35)
            Devemos estar ciente de que temas podem não possuir documentação adequada (ou o acesso a estes documentos for dificultado), entre outras preocupações que o pesquisador deve abordar e se perguntar se realmente este tema é viável.
            “(...) pode-se dizer que um tema bem delimitado de pesquisa histórica deve trazer muito claramente a definição de três dimensões fundamentais: o recorte espacial, recorte temporal e o problema.” (p.41)
            Quando pensamos em recorte temporal, isso não deve ser uma escolha propositalmente arredondada, como “Referencial político dos últimos 10 anos”, “... mas sim a um problema a ser examinado ou a uma temática que será estudada” (p.42)
            Já o recorte serial é o recorte do “(...) objeto não propriamente em função de uma determinada realidade histórico social concernente a uma delimitação espácio-temporal preestabelecida, mas mais precisamente em função de uma determinada serie de fontes ou de matérias que é constituída precisamente pelo historiador.” (p.47)
Revisão Bibliográfica
            Ao iniciarmos nossa pesquisa devemos fazer um levantamento de trabalhos já realizados sobre o assunto que será pesquisado, pois será um referencial, mesmo que sirva somente para ser uma abordagem critica.
Partir da ideia de que seu conteúdo é único seria prepotência e ingenuidade, por mais original que seja sua ideia, sempre existirá algum conteúdo aproximado de outros autores.
“Neste sentido, a ideia de uma Revisão Bibliográfica é enunciar alguns dos interlocutores com os quais você travará seu dialogo historiográfico e cientifico.” (PP. 54-55)
Este conteúdo aperfeiçoará sua proposta temática, e deverá aparecer em seu trabalho, esteja ele presente no quadro teórico, introdução ou em um capitulo especial.
Pode ser que confundam a Revisão Bibliográfica com Referência Bibliográfica (que citarão todas as referencias usadas na produção de sua pesquisa e estará presente no final do trabalho).
“O que se pede na Revisão Bibliográfica são comentários críticos sobre alguns itens da bibliografia existente que você considera particularmente importantes, seja para neles se apoiar, seja para criticá-los.” (grifos do autor) (p.55)
A organização desta Revisão Bibliográfica não possui uma maneira unicamente correta de ser feita, “(...) uma vez que todo o tema incorpora habitualmente varias coordenadas que poderão ser discutidas na ordem que o pesquisador escolher, e com ênfase diferenciadas conforme a orientação que pretende imprimir à Pesquisa.” (p. 62)
Justificativa e Objetivos
            Alguns pesquisadores confundem a justificativa de seu trabalho com o objetivo, porém existe diferença entre elas:
            - Justificativa                                  -Por que fazer?        - “(...) refere-se às motivações que o conduziram a propor a Pesquisa, e às razoes que sustentam a sua persistência em realizá-las.” (p. 67)
            - Objetivo                                        -Para que fazer?     - “(...) corresponde às finalidades que você pretenderá ter atingido quando a pesquisa tiver sido realizada.” (p.67)
            A justificativa deve ser organizada por sua relevância social, sua relevância acadêmica, sua originalidade, viabilidade, etc...
            - Relevância social                        -“Por que o seu tema ou a sua pesquisa é socialmente importante: quais os benefícios que podem reverter para a sociedade.” (p. 69)
            - Viabilidade                                  -“Por que a sua pesquisa é concretamente viável nas condições propostas. Citar facilidade de acesso às fontes (em arquivos ou em edições impressas). Arquivos e bibliotecas que poderão ser visitados, formações ou potencialidades curriculares que o credenciam a empreender a pesquisa proposta, etc.” (p.69)
            - Originalidade                                             -“O que a sua pesquisa ou o seu objeto traz particularmente de novo, seja em termos temáticos, em termos teóricos, ou em termos mitológicos” (p.69)
            - Pertinência do tema                                 -“Manter o que o seu tema é congruente, vale citar autores que assinalaram caminhos similares em obras anteriores” (p.69)
            - Relevância Cientifica e Acadêmica     -“Por que o seu projeto ou a sua pesquisa é importante do ponto de vista acadêmico: que lacunas na bibliografia já existente ele virá preencher que contribuições pode dar a determinado campo da Historiografia” (p.69)
            “(...) ‘Objetivos’ é o único do Projeto de Pesquisa que tende a ser apresentado em tópicos listados.” (p. 75)
Quadro Teórico
            A ideia de “teoria” e “metodologia” pode confundir alguns pesquisadores, no entanto são bem distinguidos nas ciências exatas, definindo a teoria com um caráter abstrato e a metodologia com um caráter concreto. Porém nas ciências humanas a teoria remete um jeito de ver o mundo ou pensar (no caso da filosofia), tendo como ponto de partida “... uma determinada maneira como vemos o processo histórico...” (p. 84), já a metodologia está presente no modo de fazer, determinando o modo de trabalhar (denominado práxis).
            “(...) teoria e metodologia podem e devem estar intimamente articuladas (...)” (p.85)
            Podemos dividir o Quadro Teórico em algumas partes propostas por BARROS:
            - Revisão Bibliográfica                   -“se não tiver sido feita em um item à parte, e nem na introdução” (p.86)
            - Campo Histórico                           -“Campo de Estudo no qual se insere a pesquisa (História Econômica, História Política, História Cultural, etc...)” (p. 86)
            - Diálogos Interdisciplinares         -“Disciplinas ou campos com os quais seu trabalho dialoga” (p.86)
            - Posicionamentos Teóricos         -“adesão a linhas ou correntes teóricas se for o caso” (p.86)
            - Perspectivas e Horizontes Teóricos
            - Categorias e Conceitos               -“estabelecendo definições, conceitos e categorias essenciais para a pesquisa, ao mesmo tempo em que dialoga com autores que serão apropriados ou rejeitados” (p.86)
            Em alguns casos é importante para o pesquisador explicar o seu campo histórico de atuação, esse campo é dividido em áreas distribuída em:
- Domínio (Temas)                     -refere-se “(...) aos ‘agentes históricos’ que eventualmente são examinados..., e aos ‘objetos de estudo’(...)” (p.101)
- Abordagens (Metodologia)         -ligada ao campo de observação, ou seja, os mais relacionados a metodologia do que a teoria.
- Dimensões (Teoria)                     -ordem de classificação que destaca a realidade social estão sempre ligadas entre si (História Econômica, Política, Cultural...)
A produção textual de um projeto deve ser elaborada de forma que comunique sua ideia com seus leitores, de maneira que o conteúdo não possua expressões de difícil compreensão, afinal nem todos os seus leitores possuem a compreensão extensa de vocabulários científicos, se houver necessidade de empregar
Simplificando “conceito”, é uma generalização “(...) que o indivíduo pensante utiliza para tornar alguma coisa inteligível nos seus aspectos essenciais para si mesmo e para os outros (...) o conceito constitui uma espécie de órgão para a percepção ou para a construção de um conceito sobre a realidade (...)” (p.110)
Hipóteses
            Ao inicio do livro, foi destacado a necessidade de resolução de um problema, problema esse que daria inicio a nossa pesquisa. Após formularmos um problema (tema), iniciamos uma suposição que nos levaria a imaginar antecipadamente a resolução da problemática, iniciando o ponto de partida do pesquisador, porém uma hipótese (suposição) não utiliza a verdade e sim a imaginação do pesquisador, que somente após as verificações factuais levará a reais respostas.
            Esta hipótese, segundo BARROS, possui varias funções no projeto de pesquisa:
1-    Função Norteadora                  -Dar uma direção a pesquisa
2-    Função Delimitadora               -Restringir o campo da pesquisa
3-    Função Interpretativa           -Propor uma possível solução para o problema investigado
4-    Função Argumentativa            -Desencadear inferências e funcionar como pontos de partida para dedução
5-    Função Complementadora     -Preencher lacunas do conhecimento
6-    Função Multiplicadora             -Aplicabilidade adaptada a outras pesquisas
7-    Função Unificadora                 -Organizar ou unificar conhecimentos já adquiridos
Também, segundo o autor, para a formulação de uma boa hipótese ela deve seguir 12 conceitos:
Solução Possível, Sentença declarativa, Concisão, Coerência, Clareza Exatidão, Interação,Especificidade, Relevância, Pertinência, Plausibilidade, Verificabilidade.
“Uma tese ou projeto de pesquisa pode apresentar mais de uma hipótese central, ou também uma única hipótese central que, eventualmente desdobra em sub-hipóteses (...)” (grifos do autor) (p. 185)


[1]  BARROS, JOSÉ A. O projeto de Pesquisa em História: Da escolha do Tema ao Quadro Teórico – 5 ed. - Petrópolis, SP: Vozes, 2009.
[2] Graduando no 2º ano de Licenciatura no curso de História pela UNIFEOB
[3] Historiador e professor de história, com doutorado em história social pela Universidade Federal
Fluminense. Possui dentre suas obras: “A construção social da cor”, “Projeto de pesquisa em história”
e “Cidade e história”.

domingo, 10 de abril de 2011

A Evolução da Educação

Tem uns dias que recebi este e-mail, e esolvi posta-lo hoje:
Antigamente se ensinava e cobrava tabuada, caligrafia, redação, datilografia...
Havia aulas de Educação Física, Moral e Cívica, Práticas Agrícolas, Práticas Industriais e cantava-se o Hino Nacional, hasteando a Bandeira Nacional antes de iniciar as aulas...

Leiam o relato de uma Professora de Matemática:
  Semana passada, comprei um produto que custou R$ 15,80. Dei à balconista R$ 20,00 e peguei na minha bolsa 80 centavos, para evitar receber ainda mais moedas. A balconista pegou o dinheiro e ficou olhando para a máquina registradora, aparentemente sem saber o que fazer.
Tentei explicar que ela tinha que me dar 5,00 reais de troco, mas ela não se convenceu e chamou o gerente para ajudá-la.

Ficou com lágrimas nos olhos enquanto o gerente tentava explicar e ela aparentemente continuava sem entender.
Por que estou contando isso?
Porque me dei conta da evolução do ensino de matemática desde 1950, que foi assim:


1. Ensino de matemática em 1950:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda.
Qual é o lucro?

2. Ensino de matemática em 1970:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é igual a 4/5 do preço de venda ou R$ 80,00. Qual é o lucro?

3. Ensino de matemática em 1980:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.
Qual é o lucro?

4. Ensino de matemática em 1990:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00.
Escolha a resposta certa, que indica o lucro:
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00


5. Ensino de matemática em 2000:

Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00. 

O custo de produção é R$ 80,00.
O lucro é de R$ 20,00.
Está certo?
(  )SIM (  ) NÃO


6. Ensino de matemática em 2009:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.

O custo de produção é R$ 80,00. Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00


7. Em 2010 ...:
Um lenhador vende um carro de lenha por R$ 100,00.
O custo de produção é R$ 80,00.
Se você souber ler, coloque um X no R$ 20,00.
(Se você é afro descendente, especial, indígena ou de qualquer outra minoria social não precisa responder pois é proibido reprová-los).
(  )R$ 20,00 (  )R$ 40,00 (  )R$ 60,00 (  )R$ 80,00 (  )R$ 100,00

 
 
E se um moleque resolver pichar a sala de aula e a professora fizer com que ele pinte a sala novamente, os pais ficam enfurecidos pois a professora provocou traumas na criança.
Também jamais levante a voz com um aluno, pois isso representa voltar ao passado repressor (Ou pior: O aprendiz de meliante pode estar armado)
- Essa pergunta foi vencedora em um congresso sobre vida sustentável:

Todo mundo está 'pensando'
em deixar um planeta melhor para nossos filhos...
Quando é que se 'pensará'
 em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"

Passe adiante!
Precisamos começar JÁ!  
   Ou corremos o sério risco de largarmos o mundo para um bando de analfabetos, egocêntricos, alienados e sem a menor noção de vida em sociedade e respeito a qualquer regra que seja!!!

sexta-feira, 8 de abril de 2011

A barbárie do Séc. XXI

Bom diante do triste acontecimento desta semana, em que um jovem entra em uma escola disposto a matar crianças, considerada por ele “almas impuras” vou deixar um texto de Rosana Hermann...
BIOLÓGICAS, EXATAS E DESUMANAS
Não terei tempo de procurar na rede o nome do culpado pela divisão das disciplinas de educação em três vertentes, mas de alguma forma o conhecimento formal ficou dividido em ciências biológicas, ciências exatas e ciências humanas. Acho lindo que tudo seja tratado de forma cientifica e organizada mas temo que esta tripartição não tenha sido um bom negocio, especialmente hoje, vendo que duas pernas se desenvolveram e uma ficou atrofiada. O homem passeia em marte com seu robô e envia imagens ao vivo, com exatidão tecnológica surpreendente. Aqui na Terra, clona-se seres vivos e as esperanças de cura se renovam com o desenvolvimento de pesquisas com células-tronco. O tripé do conhecimento desenvolveu pernas longas e bem torneadas para as exatas e biológicas. Infelizmente, com o crescimento das outras duas, a terceira perninha, as ciências humanas, que incluem coisas como a filosofia e a ética, ficou ali, atrofiada e penduradinha como um bilauzinho no inverno polar. E isso, tem tudo a ver com a crise humana do mundo atual.
Estamos todos mais grotescos , mais rudes, mais estúpidos. Somos bem informados mas nos tornamos ignorantes. Temos automóveis com GPS mas dirigimos como trogloditas neuróticos. Viajamos pelo mundo inteiro mas temos preguiça de procurar o baldinho de lixo para jogar o papelzinho da bala. A falta de finesse é geral. Isso tudo, se não for coisa do demo, se não for a prova definitiva de que o projeto ‘ser humano’ não deu certo, só pode ser atribuído à falta de atenção que demos às ciências humanas, justamente aquelas mais sutis, que não dependem de equações, que não se baseiam nas medições matemáticas e não podem ser testadas em laboratório.
O vórtice vicioso que nos suga ralo abaixo passa por todas as estatísticas de descaso com as disciplinas que podem desenvolver o refinamento das pessoas. Não existem empregos para filósofos, sociólogos, pedagogos, historiadores, cientistas sociais. E, por não ter mercado, os estudantes não optam por estas matérias na hora de fazer o vestibular. Como a procura é pouca, há poucos cursos e etc. e tal.
O que fazer? Bem, esta é uma resposta para as ciências humanas também. Quem tiver sobrevivido na área terá que formular as soluções para esta crise de humanidade que vivemos hoje. Não sei onde o flower power murchou, onde o amor livre foi preso ou como a vida em fazendas cooperativas se transformou nesse mar de prédios de escritórios neuróticos baseados na competição. Só sei que temos que voltar ate a bifurcação onde tomamos a trilha errada. Nesta trilha, a ansiedade e depressão nos matam, o estresse e a má alimentação engordam, a ira destrói toda nossa capacidade de sentir e amar.
Eu, lentamente, comecei a voltar. E adoraria contar com todas as pessoas de bem, os irmãos de fé, os companheiros de jornada, os camaradas de ideologia, os humanos de coração, para um grande encontro de volta naquele velho ponto da bifurcação. Onde um dia, alguém colocou uma flor em uma carabina.
Humanos, uni-vos.
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Sinto que depois de ler este texto, não preciso dizer absolutamente mais nada.
Obrigada
Erika